18th Abril 2008

Torturador Profissional

Postado em CARRO NISSAN |

Acompanhamos o desenvolvimento do Nissan Qashqai para mostrar como é o trabalho de um piloto de testes.

Eram 7 horas da manhã, mais o céu ainda estava escuro e o termômetro marcava -25ºC. O local era Ivalo, na Finlândia, próximo ao Círculo Polar Ártico, e o inglês Peter Brown comemorava. Após uma semana de espera, finalmente as codições permitiram que ele e sua equipe finalizassem seu trabalho: avalaliar como se comportaria o futuro modelo da Nissan em condições de frio extremo, próximo dos -30ºC. Quando o vimos pela primeira vez, o veículo possuía a denominação-código P32L. Só mais tarde o carro receberia o nome de Qashqai. O cenário composto  de enormes campos gelados devidamente preparados por tratores  com cerca de 60 cm de neve se mostrava ideal para improvisar todo o tipo de circuito que as montadoras européias necessitam. Foi a primeira vez que pudemos acompanhar, tão de perto, o desenvolvomento de um novo veículo. A missão da equipe era conferir se aquilo que foi criado e ensaiado em computadores e no túnel de vento se reproduziria em condições reais, onde aparecem vibrações, ruídos e toda a sorte de imprevistos, impossíveis de serem calculados no mundo virtual. Para tanto, seguimos em caravana até uma área distante, cercada de árvores, oculta de eventuais curiosos. Ali, encontramos outros técnicos da Nissan, que estavam diante de um dos maisores desafios de suas carreiras: desencolver o substituto do Almera que, ao mesmo tempo, ocupará um novo nicho no mercado, como uma opção mais requintada do X-Trail. Mas se você imagina que esses pilotos são experts na condução de veículos, tão hábeis quanto os pilotos de competição, esqueça. Em Ivalo, o objetivo era mais “pé-no-chão”, e a avaliação estava mais ligada ao dia-a-dia do carro. A equipe de testes é especialista em automóveis médios e, assim, conhece a fundo o P32L, mais também sabe tudo sobre os rivais VW Golf, Peugeot 307 e Renault Mégane, entre outros. Os carros seguiram, então, por estradas congeladas a uma velocidade média de 80 km/h (o limite nessas condições na Finlândia), graças aos pneus especiais, que possuem pequenos cravos, como os de rali. Mesmo assim, o ritmo da viagem nos pareceu mais elevado que àquele que estamos acostumados. A programação do dia consistiu em seguir “na cola” de outro veículo. E rápido, como se estivéssemos em uma auto-estrada com piso seco. Só que, Além da superfície extremamente lisa ela ainda estava repleta de imperfeições feitas - a pedido da equipe - pelos tratores. Como se não bastasse, o carro à frente ainda levantava uma verdadeira “cortina de neve”. O ensaio durou uma hora e foi difícil imaginar quem conseguiria manter a concentração em situações tão difíceis. Mais o que eles verificaram é se a neve e o gelo chegaram a adentrar no compartimento do motor, se prejudicaram a refrigeração ou o sistema de admissão. Os técnicos ainda fotografaram tudo para registrar como a neve se acumulou em todo o carro durante os testes. É preciso amar essa profissão. E foi apenas uma das diversas tarefas. “Todas as manhãs, antes de partimos, checamos o funcionamento de tudo” explicou um dos pilotos. “São cerca de 60 itens neste caso. Uma avaliação completa possuí 1000 itens.” Como especialistas, esses profissionais proucuram saber como é o perfil do futuro consumidor do P32L e tentam se colocar na pele dele, analisando tudo o que esse comprador possa desejar em um automóvel. Dessa forma, qualquer outra observação  que os técnicos acreditem que possa melhorar o carro para o público-alvo gera um relatório para a equipe responsável. Freios, suspenção, câmbio… os 10 dias em Ivalo certamente produziram muitas observações, faltando um ano para o lançamento do veículo. “Olha, nós somos absolutamente loucos por carros”, explica Peter Brown. Confesso que eu já desconfiava disso desde que cheguei à Finlândia.

O resultado, após 30 meses
Depois de tantos ensaios e avaliações, o Nissan Qashqai está pronto para chegar às lojas. E se depender da aceitação que o modelo vem recebendo da crítica especializada na Europa, o veículo tem tudo para emplacar. Nesse caso, todo o trabalho da equipe de Peter Brown terá sido recompensado. A festa, porém, não poderá se estender. Afinal, sempre há um novo protótipo para ser avaliado. Felizmente.

 

 

Fonte: Revista Carro

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